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"Racismos diaspóricos:
Processos racias nas Américas e a transformação das
relações raciais nos EUA" desenvolverá uma nova
área de análises raciais e pesquisa ativista voltada para
o impacto dos processos transnacionais demográficos, políticos,
sociais e econômicos sobre as características (em transformação)
das relações raciais nos EUA, especialmente à medida
em que estes afetam negros, latinos e povos indígenas. O objetivo
do projeto é produzir conhecimento e análise que possam
ser utilizados para promover a conciliação racial e a justiça
social nos EUA através da educação, do ativismo e
da formulação de políticas públicas.
Histórico
A imigração em larga escala vinda da América Latina,
do Caribe, da África, e de outros lugares nos últimos 30
anos tem alterado significativamente o cenário racial nos EUA.
Tem havido uma proliferação e diversificação
de comunidades não-brancas que têm transformado as características
das relações raciais neste país de bipolares para
múltiplas. Neste sentido, os Estados Unidos parecem estar se movendo
para além da tradicional dicotomia racial branco x negro, com diferentes
formas de racismo e exclusão emergindo entre brancos e estes grupos
racialmente diferenciados. Embora historicamente sempre tenham existido
populações consideráveis de latinos, asiáticos
e indígenas neste país, e racismo contra elas, o foco sobre
o fenômeno de múltiplos racismos vindo dos brancos tem aumentado
à luz dos dados censitários mais recentes que indicam que,
na metade deste século, brancos não-hispânicos serão
a minoria que transformarão os EUA em um país de "minorias-maiorias".
Enquanto a pesquisa e as análises sobre crescentes formas de racismos
por parte dos brancos é uma parte deste projeto, o principal foco
de "Racismos diaspóricos" será sobre os dinâmicos
processos de interpelação e auto-definição
entre imigrantes descendentes de africanos e de povos indígenas.
Interpelação refere-se às formas em que estes grupos
são racializados. Auto-definição refere-se às
atitudes e práticas raciais--incluindo as várias formas
de resistência e ativismo--entre estes grupos étnico-raciais
imigrantes e o impacto que estas têm sobre as atitudes e práticas
da formação racial mais ampla dos EUA. Imigrantes que chegam
de formações raciais distintas em seus países de
origem e se estabelecem entre as comunidades de minorias étnico-raciais
nos EUA trazem consigo suas próprias ideologias raciais, identidades
e formas de racialização distintas. Isto tem resultado em
uma situação racial infinitamente mais complexa e cheia
de nuances daquela que é geralmente percebida nos EUA.
Compreender as identidades,
atitudes e práticas raciais de imigrantes e seus descendantes--incluindo
as várias formas de resistência e ativismo-- é crucial
para compreender as formas como estes se integram à sociedade americana
e a maneira em que se auto-posicionam e são posicionados dentro
da hierarquia racial deste país. Compreender estes processos é,
por sua vez, fundamental para qualquer análise sobre o futuro racial
dos Estados Unidos.
Ativismo eficaz, educação
e política racial nos EUA também dependerão de um
entendimento sobre os processos ideológicos, de identificação
e das práticas internas destas comunidades mais claro do que aquele
que se tem atualmente. Igualmente, um importante componente deste projeto
será transformar as análises e a pesquisa realizadas dentro
deste paradigma em linhas de ação para o desenvolvimento
de políticas públicas, ativismo sócio-político
e formação sobre estes temas. |